O Calendário Judaico

por Vitor Fridlin

O calendário-judaico fixo foi organizado em Jerusalém pelo patriarca Hilel ll, no ano de 358 da era comum. O ano consiste em 12 meses lunares, alguns com 29 dias e outros com 30 dias, sendo acrescentado um mês a mais (Adar ll) sete vezes num ciclo de 19 anos, a fim de conciliá-lo com o ano solar.

O Rosh Chodesh, outrora celebrado e festejado no templo, assinala o inicio do novo mês; quando o mês anterior tem 30 dias, 0 30° é também celebrado.

No Shabad anterior ao Rosh Chodesh, abençoa-se na sinagoga o mês anterior entrante (Shabad Mevarchim Hachodesh), anunciando-se sua data e quando ocorrerá o novilúnio (Molád).

TISHRÊ

Os dez primeiros dias do ano são conhecidos como Asséret Iemê Teshuvá (Dez dias de Arrependimento), sendo que os dois primeiros dias do ano novo são chamados de Rosh Hashaná. Nestes dias somos julgados por D´us e o Shofar é tocado para despertar nosso arrependimento pelos pecados cometidos.

No dia que se segue a Rosh Hashaná é observado o Tsom Guedalia, um jejum público diurno, em memória de Guedalias, governador de Judá após a destruição do primeiro templo, que fora assassinado.

O décimo dia do mês é o lom Kipur, Dia do Perdão, quando, através do nosso arrependimento e de nossas preces, esperamos ser incritos e selados no Livro da Vida. Com a finalidade de purificar nosso espírito neste dia temível, desde o pôr do sol da véspera permanecemos em jejum (comida e bebida) e nos abstemos de calçar sapatos de couro, lavar o corpo e manter relações conjugais.

A celebração de lom Kipur inicia-se com o Col Nidrê, onde declaramos a nulidade de promessas e votos que tocam à própria consciência, e finaliza-se com a Neliá (Encerramento). O Yizcor é recitado neste dia.

Sucót, a Festa das Cabanas, que começa no dia 15 e prolonga-se por sete dias, reveste-se de duplo significado: o da natureza e clima de Israel, pois a festa cai na estação da colheita, e o das peregrinações de nossos antepassados no deserto, após saírem do Egito. As principais mitzvót de Sucót são: morar numa sucá e abençoar diariamente (excete no Shabat) as quatro espécies (Netilat Lulav), cujo conjunto expressa união. O sétimo dia de Sucót é chamado de Hoshaná Rabá.

Shemini Atséret (Convocação do Oitavo Dia), é uma festa independente, cujo tópico central é a alegria, e na qual começa-se, a partir da oração de Mussáf, a se rezar por chuvas. O Yizcor é recitado.

Simchát Torá (Regozijo da Torá), celebrado no dia seguinte a Shemini Atséret, marca o encerramento do ciclo anual da leitura da Torá e inicio de um novo ciclo, em meio a cantos, danças especiais e muita alegria.

CHESHVAN

É conhecido também como "Marcheshvan" (amargo Cheshvan), pois nele não incide nenhuma data comemorativa.

KISLÊV

A partir do dia 25 , durante oito dias, celebramos Chanucá, festa em que comemoramos a vitoria histórica dos Macabeus, depois de três anos de rebelião contra o domínio Greco-assírio a seus adeptos helenizantes.

Após a restauração do templo de Jerusalém, eles acenderam o Candelabro de Ouro (Menorá) com azeite puro suficiente para apenas um dia, mas milagrosamente, ele permaneceu aceso por oito dias até providenciarem novo azeite puro. Para recordamos esse milagre, acendemos na Chanuquiá uma vela na noite do dia 25, acrescentando uma vela em cada um dos próximos sete dias, até o dia 2 (ou 3) de Tevêt.

TEVÊT

Dia de jejum público diurno (Tsom Assará Betevet), no décimo dia do mês, rememorando o começo do cerco de Jerusalém por Nabucodonosor, que levou ao rompimento da muralha e a destruição do segundo Templo; foi o começo da diáspora. O Rabinato de Israel decretou este dia como "Dia da Lembrança pelos Mártires do Holocausto".

SHEVAT

No dia 15 deste mês é celebrado Tu Bishavat, o ano Novo das árvores. É celebrado plantando-se árvores (principalmente em Israel) e comendo-se frutas típicas e tradicionais de Israel, evidenciando a ligação íntima do povo Judeu com a sua terra e seu profundo amor as árvores.

No último Shabat de Shevar, num ano normal, lê-se na Torá a porção especial denominada Shecalim (salvo se o primeiro dia do mês seguinte – Adar – incidir no Shabat, quando só então será lida).

ADAR

No Shabat antes de Purim lê-se na Torá a porção especial denominada Zachor. No dia 13 de jejum público (Taanit Ester) que, se incidir no Shabat, é transferida para o dia 11.

No dia 14 comemoramos Purim, onde alegramo-nos pela salvação dos judeus quando Hamán, ministro do rei persa Achashverosh, intencionava, de forma maquiavélica, aniquilar a todos num só dia, milagrosamente, com a intervenção de Ester, a Rainha Judia, e de Mordechai, a situação inverteu-se, sendo Hamán condenado à força e os judeus salvos.

Em Purim lê-se a Meguilat Ester à noite e de manhã; dois tipos de comida são enviados de uma pessoa à outra neste dia e deve-se oferecer Tsedacá (donativos) a pelo menos duas pessoas pobres; à tarde, realiza-se a Seudat Purim, ou seja, a refeição do dia de Purim, quando descontraidamente, comemos bem e nos alongamos em cantos e conversas. É costume também fantasiar-se, especialmente as crianças.

Purim simboliza a vitalidade do povo judeu e sua determinação para superar e sobreviver a todos os perigos e à discriminação.

No último Shabat do Mês, lê-se na Torá a porção especial denominada Hachódesh (salvo se o primeiro dia do mês seguinte – Nissan – incidir no Shabat, quando só então será lida); no Shabat anterior ao que se lê esta porção, lê-se a porção Pará.>

ADAR 2

Quando o ano é bissexto, as comemorações mencionadas anteriormente (no mês de Adar), são transferidas para o mês de Adar ll.

NISSAN

Inicia-se no dia 15 e se prolonga por oito dias a festa de Pessach, que comemora a libertação dos filhos de Israel da escravidão egípcia (1312 antes da era comum).

Durante este período não se come pão nem qualquer alimento fermentado ou levedado (chamêts), que sequer podem ser mantidos em casa; ao invés disso, comemos Matsá.

O auge da festa são as duas primeiras noites, quando é realizado o Sêder, uma ceia familiar conduzida sob o signo de símbolos tradicionais que constam da Hagadá de Pessach, onde destacamos dois preceitos principais: o relato do êxodo do Egito e comer Matsá. No último dia de Pessach o Yizcor é recitado.

No dia 27 de Nissan é celebrado o Dia da Recordação do Holocausto e do Heroísmo (Iom Hashoá Vehaguevurá).

A partir da segunda noite de Pessach iniciamos a Sefirat Haômer (Contagem do Ômer), que dura 49 noites e dias, sendo que no qüinquagésimo dia é celebrada a Festa de Shavuót. Em decorrência de eventos trágicos ocorridos nesse período – a morte de milhares de alunos de Rabi Akiva e a tortura de judeus na época das cruzadas – um certo luto é observado nessa época, não sendo realizadas festas e casamentos.

IYAR

Dia 4 é o Dia da Recordação dos Soldados e Combatentes mortos em defesa de Israel (Iom Hazicaron).

Dia 5 se comemora a Independência do Estado de Israel (Iom Haatsmaut). Costuma-se vestir roupas de festas e participar de comemorações relativas ao dia. Esta data pode ser adiantada um dia, para evitar que as comemorações venham a violar o Shabat.

O 33° dia da contagem do Ômer (Lag Baômer) ocorre no dia 18. É um dia de alegria: nessa data cessou a mortandade dos discípulos de Rabi Akiva.

São permitidos casamentos e celebrações. Há o costume de acender fogueiras na noite de Lag Baomêr, que é o dia de falecimento de Rabi Shimon Bar lochai. O Dia da Libertação de Jerusalém (lom lerushalaim), é o dia 28. Com a reunificação da cidade, em 1967, a Cidade Velha, o Muro das Lamentações (Hacótel Hamaaravi) e o Monte do Templo (Har Habáyit) voltaram à soberania judia.

SIVAN

A festa de Shavuót (Pentecostes), celebrada nos dias 6 e 7, tem duplo significado: agrícola – já que nesse dia levava-se as primícias da terra aos sacerdotes no templo de Jerusalém – e espiritual, pois a Torá foi outorgada ao povo de Israel, no Monte Sinai, nesse dia. Na primeira noite, costuma-se ficar estudando os livros sagrados até o amanhecer. No segundo dia, o Yizcor é recitado.

TAMUZ

Dia de jejum público diurno (Tsom Shivá Assar Betamuz) no 17° dia do mês. Cinco desgraças ocorreram aos nossos antepassados neste dia: as primeiras tábuas dos Dez Mandamentos foram quebradas; foi abolido o sacrifício contínuo no templo; a muralha do 2° Templo foi rompida; o general sírio Atsotomos queimou os rolos da Torá e um ídolo pagão foi colocado no santuário. As três semanas entre este jejum e Tishá BeAv são chamados de Bên Hametsaim e é uma época de luto, na qual não são celebradas festas e casamentos.

AV

Nos primeiros nove dias deste mês, o luto é mais rigoroso. O dia nove – Tishá Beav – é um dia de jejum público (semelhante ao de Iom Kipur) e luto pela destruição dos dois templos de Jerusalém e por mais uma série de eventos trágicos que ocorreram nesta data. Este dia assinala nossa aflição à Diáspora (Galut), mas simboliza nossa esperança pela redenção final e reconstrução do 3° Templo. Por esta razão, esse mês é conhecido também como Menachem-Av. Recita-se Kinót (elegias), poesias sobre a destruição do Templo e amargura da Diáspora.

O dia 15 – Tu Beav – é um dos mais alegres do calendário, por nele ter acontecido uma série de eventos felizes. Popularmente é chamado Dia do Amor, pois alguns dos fatos relacionam-se ao reatamento de relações entre as Tribos de Israel, antes proibidas.

ELUL

A partir do primeiro dia, até o dia 28, toca-se o Shofar pela manhã, para despertar os corações para a análise dos nossos atos e o arrependimento e, na última semana, recita-se as preces de Selichót, pois este é o mês da misericórdia e do predão Divinos, em preparação às grandes Festas de Tishrê.

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